São Paulo amplia busca por talentos e passa a olhar com mais atenção para África e América Central
- 18/09/2026
O São Paulo está ampliando o mapa de atuação de seu departamento de scout em Cotia. A chegada do ponta ganês Mohammed Ridwan e do zagueiro guineense Demekis Alindo Ufala ao Sub-20 é mais um movimento dentro de uma estratégia que vem sendo construída pelo clube para encontrar talentos em mercados menos explorados no futebol.
Os dois jogadores chegam ao São Paulo para iniciar um processo de adaptação antes de qualquer expectativa de participação imediata no futebol profissional. Novo país, nova cultura, nova rotina e, em alguns casos, um novo idioma fazem parte de uma etapa que pode ser determinante para a evolução de atletas estrangeiros dentro de Cotia.
A ideia do clube é justamente trabalhar esses jogadores com tempo. O São Paulo entende que a adaptação de um atleta vindo de outro continente não pode ser tratada da mesma maneira que a de um jogador formado no futebol brasileiro.
São Paulo quer ampliar mapa de observação
A estratégia não se limita à chegada de Ridwan e Ufala. O São Paulo vem trabalhando para ampliar a atuação de seus profissionais de scout e observar oportunidades em regiões que tradicionalmente recebem menos atenção dos grandes clubes brasileiros.
África, América Central e América do Norte estão entre os mercados que passaram a fazer parte desse radar.
A lógica é encontrar jogadores que apresentem características consideradas interessantes pelo departamento de formação e que possam ser desenvolvidos dentro da estrutura de Cotia.
Em vez de procurar apenas atletas já consolidados ou que tenham sido identificados pelos principais clubes do mercado sul-americano, o São Paulo tenta encontrar oportunidades em mercados nos quais a concorrência pode ser menor.
Isso não significa que toda aposta terá sucesso. Pelo contrário: o próprio clube já teve experiências diferentes com jogadores estrangeiros que chegaram ao Brasil e não conseguiram se firmar.
Marvin Ávila é exemplo de adaptação
Um dos exemplos utilizados internamente para explicar esse processo é Marvin Ávila, jogador guatemalteco que chegou ao São Paulo e passou por um longo período de adaptação antes de começar a ganhar mais espaço.
O atleta precisou de aproximadamente um ano até começar a receber oportunidades com maior frequência. Agora, o processo começa a apresentar resultados dentro do Sub-20, com Marvin aparecendo entre os destaques da equipe e contribuindo também com assistências.
O caso serve para mostrar que não existe uma fórmula ou um prazo determinado para a adaptação de um jogador estrangeiro.
Ridwan e Ufala, portanto, não chegam a Cotia com a necessidade de apresentar resultados imediatamente. O primeiro passo será entender o ambiente, a metodologia do São Paulo e o futebol praticado no país.
São Paulo já teve outras experiências
A estratégia de buscar jogadores em mercados diferentes não é totalmente nova no clube. O São Paulo já teve experiências anteriores com atletas estrangeiros que chegaram às categorias de base ou ao elenco profissional.
Um dos casos mais recentes foi o de King Faisal, que não conseguiu se firmar no Tricolor. O clube também trabalhou com Iba Ly, volante que passou por empréstimos a equipes como Retrô, XV de Piracicaba e Juventude.
Essas experiências não necessariamente representam fracasso da estratégia. Scout também envolve risco, especialmente quando se trabalha com jogadores jovens que ainda precisam se adaptar a uma realidade completamente diferente.
A avaliação interna passa justamente por aprender com esses casos e aperfeiçoar o processo de identificação, adaptação e desenvolvimento.
Cotia ganha ainda mais importância na crise financeira
Existe também uma razão econômica para o São Paulo olhar cada vez mais para a base.
O clube atravessa uma grave crise financeira, e a formação de jogadores pode representar uma das principais alternativas para gerar receita no médio e longo prazo.
Um atleta identificado ainda jovem, desenvolvido em Cotia e posteriormente integrado ao profissional pode representar não apenas uma solução esportiva, mas também um ativo importante para o clube.
Por isso, o investimento em scout não está restrito à busca por jogadores brasileiros. A intenção é aumentar a quantidade de mercados observados para encontrar oportunidades que possam ser desenvolvidas dentro da estrutura do São Paulo.

Scout não olha apenas para contratação
O trabalho realizado em Cotia também é mais amplo do que simplesmente procurar novos jogadores.
O departamento acompanha a evolução dos próprios atletas, analisa adversários e fornece informações para a formação das equipes. A ampliação do trabalho internacional representa uma nova camada dentro dessa estrutura.
A ideia é identificar características técnicas e físicas, acompanhar o desenvolvimento dos jogadores e entender se eles possuem condições de serem incorporados ao modelo de formação do São Paulo.
Quando o atleta chega ao Brasil, começa então uma segunda etapa: a adaptação.
É justamente nesse ponto que casos como o de Marvin Ávila ganham importância. O jogador pode precisar de tempo até que o clube consiga avaliar seu verdadeiro potencial dentro de um contexto completamente diferente daquele em que foi formado.
Dois africanos começam esse processo
Mohammed Ridwan e Demekis Alindo Ufala agora entram nessa etapa. O ponta ganês e o zagueiro guineense serão preparados dentro do Sub-20 do São Paulo, com o clube acompanhando a evolução dos dois ao longo do processo.
A chegada deles representa também mais uma tentativa de diversificar a origem dos talentos encontrados por Cotia.
O objetivo não é simplesmente contratar estrangeiros. É encontrar jogadores que apresentem potencial, trazê-los para dentro de uma estrutura reconhecida pela formação de atletas e oferecer condições para que possam evoluir.
Se o processo funcionar, o São Paulo poderá ganhar jogadores para o próprio elenco profissional e, futuramente, também ativos com potencial de mercado.
Estratégia pode ser ampliada após eleição
A continuidade desse projeto também será um tema importante para o São Paulo no fim do ano. O clube terá eleições, e uma eventual mudança na administração poderá provocar alterações na estrutura do futebol.
Por isso, será importante entender o que os diferentes grupos políticos pensam sobre o futuro de Cotia e da prospecção internacional.
A estratégia de ampliar o scout pode ser mantida, modificada ou até expandida de acordo com o planejamento da próxima administração. O ponto central, porém, é que a necessidade de formar jogadores continuará sendo relevante independentemente de quem estiver no comando.
A crise financeira aumenta ainda mais essa necessidade. Quanto mais eficiente for o processo de identificação e desenvolvimento, maior pode ser a capacidade do São Paulo de transformar Cotia em uma fonte esportiva e financeira.
São Paulo tenta voltar a ser referência na formação
Historicamente, Cotia foi responsável por revelar jogadores que se tornaram importantes para o São Paulo e também geraram receitas relevantes ao clube. A intenção agora é fortalecer novamente esse caminho.
A busca por talentos em países diferentes faz parte dessa tentativa de ampliar as possibilidades de descoberta de jogadores.
Não há garantia de que Ridwan, Ufala, Marvin ou qualquer outro atleta observado em mercados alternativos chegará ao profissional. O trabalho de formação envolve justamente esse processo de seleção, desenvolvimento e avaliação.
Mas a direção do projeto é clara: o São Paulo quer olhar além dos mercados tradicionais.
E, diante da realidade financeira atual, encontrar jogadores antes que eles estejam valorizados pelo mercado pode ser ainda mais importante para o futuro do clube.




