Lesão de Estêvão obriga Ancelotti a reorganizar Seleção e alternativas imediatas surgem para a ponta direita
- 22/04/2026
A lesão de Estêvão chega à Seleção Brasileira como mais um daqueles episódios que vão se acumulando sem pedir licença. O atacante, visto como uma das opções para a ponta direita na Copa do Mundo, pode ficar fora do torneio, justamente quando Ancelotti tenta consolidar suas escolhas.
O problema, aliás, não é isolado. Rodrygo já havia sido retirado do tabuleiro em janeiro, também por lesão, e a posição vai se transformando em uma espécie de zona de ausência recorrente. Estêvão, por sua vez, já tinha ficado fora dos amistosos de março, o que abriu espaço para testes que agora ganham outro peso.
Nesse contexto, Carlo Ancelotti se vê diante de um dilema conhecido no futebol brasileiro recente: menos certezas do que gostaria e mais necessidade de reconstruir do que de ajustar. A ponta direita, que deveria ser um ponto de força, vai se tornando um exercício de adaptação contínua e, sem Estêvão, as alternativas já começam a ser apontadas.
O que Ancelotti pode fazer sem Estêvão?
Como bem detalhou o jornalista João Pedro Nieri, a recomposição deve acontecer com peças conhecidas. A Seleção que se desenhava no papel previa um desenho relativamente claro: Raphinha e Vini Jr. pela esquerda, Matheus Cunha e Estêvão pela direita. Uma geometria ofensiva que, como tantas outras, dependia menos de convicção e mais de disponibilidade.
Com a lesão de Estêvão, o arranjo começa a se deslocar. Raphinha poderia migrar para a direita, abrindo espaço para Gabriel Martinelli atuar pela esquerda. A solução não é exatamente nova: apenas redistribui peças num tabuleiro que insiste em mudar antes de se estabilizar. Há, ainda, um detalhe que não ajuda na construção da segurança: embora hoje seja mais associado ao lado esquerdo no Barcelona, Raphinha já fez esse movimento para a direita no Leeds, seu clube anterior, o que sugere versatilidade, mas também certa falta de enraizamento tático em uma função fixa.

O problema é que até essa alternativa vem com ressalvas. Raphinha também está lesionado, e ainda que a expectativa seja de retorno nas próximas semanas, o histórico recente de duas lesões na mesma temporada começa a introduzir uma variável incômoda: a da confiabilidade. No fim, a Seleção vai acumulando não apenas ausências, mas dúvidas — e elas, ao contrário dos jogadores, não têm prazo definido para voltar.
Luiz Henrique e Estêvão ganham força

Entre as poucas boas notícias que a última Data FIFA deixou escapar, Luiz Henrique acabou ganhando um destaque que não estava necessariamente previsto no roteiro. Em jogos em que a Seleção mais precisou de alguma centelha de imprevisibilidade, ele foi justamente isso: um jogador capaz de mudar o ritmo da partida sem pedir autorização. Na ponta direita, especialmente, encontrou um território fértil para o que faz de melhor.
Já Endrick apresenta um caso curioso, quase um desvio interessante na lógica habitual de formação. Embora tenha no centro do ataque sua preferência natural, vem sendo utilizado pela direita no Lyon, onde responde com números que chamam atenção: sete gols e sete assistências em quatro meses. Mais do que estatística, isso sugere adaptação rápida a um papel menos confortável. E há um componente adicional que, no ambiente da Seleção, não costuma ser irrelevante: sempre que veste a camisa amarela, o desempenho parece não se intimidar com o peso do cenário.




