Laterais deixam de ser diferencial e viram problema estrutural na Seleção Brasileira

  • 18/02/2026
Mudanças na formação, exigências táticas do futebol europeu e falta de perfil híbrido explicam por que as laterais se tornaram o setor mais instável da Seleção Brasileira no ciclo recente

A lateral, posição que já foi símbolo de ousadia e protagonismo ofensivo, transformou-se no maior ponto de interrogação da Seleção Brasileira no ciclo pós-2018, com impacto ainda mais evidente entre 2023 e 2025.

A dificuldade não está apenas na ausência de nomes do tamanho de Cafu ou Roberto Carlos, mas na falta de atletas capazes de cumprir as exigências híbridas do futebol de elite atual.

Historicamente, o Brasil formou laterais com vocação ofensiva, quase como pontas abertos. O problema é que o jogo moderno exige que esses jogadores defendam como zagueiros e ataquem como extremos, participando da construção por dentro e mantendo intensidade física durante 90 minutos.

A formação nacional, no entanto, ainda prioriza o talento técnico e não acompanha com a mesma eficiência a evolução tática e defensiva exigida na Europa.

(Foto: Reprodução)
EL ALTO, BOLIVIA – SEPTEMBER 09: Carlo Ancelotti, Head Coach of Brazil argues with referee Cristián Garay after the South American FIFA World Cup 2026 Qualifier match between Bolivia and Brazil at Estadio Municipal de El Alto on September 09, 2025 in El Alto, Bolivia. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Por que o perfil não ajuda muito?

Muitos jovens velozes são transformados em pontas na base e, quando não atingem o nível esperado, acabam deslocados para a lateral sem a maturação tática necessária. Ao mesmo tempo, os laterais que se firmam no exterior costumam ser moldados em sistemas mais conservadores, o que reduz a criatividade ofensiva que historicamente marcou a posição no Brasil.

O histórico recente escancara essa transição turbulenta. Em 2018, o Brasil ainda contava com Marcelo e Danilo, embora já houvesse questionamentos defensivos. Em 2022, Danilo, Alex Sandro e Alex Telles ofereceram segurança, mas pouca inventividade. Lesões e queda física também passaram a influenciar o desempenho, evidenciando a falta de reposição à altura.

Há alternativas, mas a posição segue sem um dono oficial

No ciclo seguinte, a busca por soluções virou rotina. Entre 2023 e 2025, mais de uma dezena de laterais foi testada, sem consolidação. Danilo acabou assumindo papel mais próximo de um zagueiro construtor, opção taticamente confiável, mas que limita profundidade ofensiva. A improvisação tornou-se sintoma de uma posição sem dono.

À direita, nomes como Vanderson, Wesley e Paulo Henrique surgiram como alternativas, cada um com virtudes ofensivas e lacunas defensivas ou de consistência internacional. Nenhum, porém, conseguiu reunir regularidade, maturidade tática e protagonismo simultaneamente.

Pela esquerda, Guilherme Arana aparece como o mais equilibrado, enquanto Wendell oferece força defensiva e Carlos Augusto entrega intensidade física. Ainda assim, o setor segue sem unanimidade técnica ou liderança consolidada, algo impensável em outras gerações.

O problema, portanto, é estrutural e de perfil. O Brasil continua produzindo talentos ofensivos, mas falha em formar laterais completos para o padrão tático contemporâneo.

A lateral virou um setor tampão, onde a seleção oscila entre exposição defensiva e pouca criatividade no ataque, refletindo uma transformação profunda na maneira de formar e utilizar jogadores da posição.

FONTE: https://br.bolavip.com/selecao-brasileira/laterais-deixam-de-ser-diferencial-e-viram-problema-estrutural-na-selecao-brasileira


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Top 5

top1
1. Tubarões

Diego e Victor Hugo

top2
2. Não, Mas quase

Israel e Rodolffo

top3
3. Me ama ou me larga

Simone Mendes

top4
4. P do pecado

Grupo Menos é Mais, Simone Mendes

top5
5. Opa cadê eu

Clayton e Romario

Anunciantes