Arthur cresce no Palmeiras e transforma a lateral esquerda em escolha tática para Abel
- 05/09/2026
A ascensão de Arthur no Palmeiras criou uma disputa que vai muito além da escolha de um titular para a lateral esquerda. Aos 20 anos, o jogador formado na Academia deixou de ser apenas uma alternativa para Piquerez e passou a oferecer a Abel Ferreira uma característica diferente para o setor. O uruguaio continua sendo o lateral mais experiente e com uma história consolidada no clube, mas Arthur ganhou espaço justamente porque consegue modificar algumas engrenagens do time.
Em uma temporada na qual o Verdão busca alternativas para tornar seu ataque mais eficiente, essa diferença de comportamento pode ser tão importante quanto a qualidade individual de cada jogador e a Cria palestrina se tornou mais uma opção tática no leque de Abel. O crescimento de Arthur, aliás, aconteceu em um contexto que inicialmente parecia destinado a ser apenas uma oportunidade circunstancial.
Ele subiu definitivamente ao profissional em 2026 e passou a receber minutos enquanto Piquerez e Jefté enfrentavam problemas físicos. O que chamou atenção, porém, foi a velocidade com que deixou de ser somente uma peça de reposição. Antes da reta decisiva, Arthur já havia disputado 26 partidas, 17 delas como titular, enquanto o uruguaio acumulava 24 jogos na temporada, 21 como titular. Os números não significam que o garoto tenha tomado definitivamente a posição, mas mostram que a distância entre os dois diminuiu muito.
A diferença mais interessante aparece quando observamos o comportamento de cada um com a bola. Piquerez é um lateral que oferece profundidade, força física e experiência para ocupar o corredor, além de possuir uma capacidade já comprovada de chegar ao último terço. São 247 jogos pelo Palmeiras, 226 como titular, com 17 gols e 23 assistências.
Dois laterais e duas opções táticas para Abel
Arthur ainda está muito distante dessa amostra, naturalmente, mas apresenta outra característica: capacidade de condução, associação e aceleração das jogadas. Não é apenas uma versão mais jovem de Piquerez. É outro tipo de lateral. O próprio Abel Ferreira percebeu essa diferença antes mesmo de Arthur se consolidar. Ao elogiar o garoto, o treinador chamou atenção para uma particularidade que ajuda a explicar sua ascensão.
O jovem lateral não seria simplesmente um jogador de cruzamentos constantes, mas alguém capaz de colocar a bola na área por meio do passe. Essa distinção parece pequena, porém muda a forma como o Palmeiras pode atacar. Um lateral que busca o passe em vez do cruzamento pode aproximar jogadores, acelerar tabelas e criar situações de superioridade em zonas interiores. É uma mudança de linguagem ofensiva, não apenas de característica individual.
Com Piquerez, o Palmeiras tende a encontrar um corredor mais tradicional. O uruguaio pode dar amplitude, atacar o espaço exterior e chegar à linha de fundo, enquanto os companheiros ocupam regiões mais internas. É uma dinâmica bastante útil para uma equipe que gosta de alternar corredores e encontrar seus atacantes em condições de finalizar. Arthur pode produzir outra coisa: receber aberto, conduzir, combinar por dentro e atacar espaços menores antes de acelerar novamente. A lateral deixa de ser somente um ponto de passagem e pode se transformar em uma zona de associação.

Isso também explica por que a comparação entre os dois não deveria ser reduzida a quem defende melhor ou quem ataca mais. A pergunta realmente importante para Abel é outra: qual comportamento o Palmeiras precisa daquele lado do campo em determinado jogo? Contra um adversário fechado, Arthur pode oferecer uma capacidade maior de aproximação e improvisação.
Arthur vira trunfo fundamental para uma temporada intensa
Em partidas nas quais o duelo físico e a proteção do corredor sejam prioridades, a experiência e a imposição de Piquerez podem pesar. A disputa, dessa maneira, deixa de ser apenas individual e passa a ser uma ferramenta de planejamento. Há ainda um componente defensivo que não pode ser ignorado. Arthur mostrou no empate contra o Santos, pela Copa do Brasil, que sua evolução não aconteceu apenas com a bola.
Mesmo com o retorno de Piquerez após edema na coxa, o jovem começou jogando e teve uma atuação destacada, com dez desarmes. É um dado especialmente relevante porque responde a uma das principais perguntas sobre sua adaptação ao profissional: será que a agressividade ofensiva viria acompanhada de maturidade para defender? Naquela partida, pelo menos, a resposta foi positiva.
O momento também ajuda a explicar por que essa disputa ganhou importância. O Palmeiras chega à reta decisiva precisando encontrar soluções ofensivas sem desmontar a estrutura defensiva que o mantém competitivo. Depois da classificação para a semifinal da Copa do Brasil, o time seguiu demonstrando solidez atrás, mas também desperdiçou oportunidades que poderiam ter transformado domínio em vantagem ainda maior. Nesse cenário, qualquer pequena mudança capaz de aumentar a circulação, a chegada ao último terço ou a criação de superioridades pode adquirir peso enorme.
Cria da Academia faz Abel pensar
Seria precipitado afirmar que Arthur “tomou” a vaga de Piquerez. O uruguaio continua sendo um dos jogadores mais importantes da história recente do clube na posição, acumula nove títulos pelo Palmeiras e tem uma experiência que o garoto obviamente ainda não possui. A questão é que Arthur transformou uma posição que parecia resolvida em uma escolha estratégica. Abel agora pode decidir não apenas quem está melhor, mas qual lateral oferece a característica mais adequada para o plano de jogo. E isso é um privilégio importante para um treinador que disputa três competições simultaneamente.
Talvez, a maior vitória de Arthur não seja conquistar definitivamente a lateral esquerda, mas obrigar Abel a pensar nela de outra maneira. Piquerez representa um Palmeiras mais conhecido, consolidado e experiente; Arthur começa a representar um Palestra mais móvel, associativo e disposto a encontrar soluções diferentes para atacar. Não existe necessariamente um vencedor nessa comparação.
Existe uma possibilidade que pode ser ainda mais valiosa: ter dois laterais capazes de fazer o mesmo setor funcionar de maneiras diferentes. Em uma reta decisiva na qual detalhes podem separar um título de uma frustração, saber escolher qual desses dois Palmeiras colocar em campo pode se tornar uma das decisões mais importantes de Abel.




