Análise: Abel muda o Palmeiras e desfalques obrigam uma reviravolta tática contra o Athletico-PR

  • 17/10/2026
A provável escalação do Palmeiras expõe mudanças que vão além da troca de titulares. Abel terá de ajustar os encaixes defensivos sem perder força na busca pela liderança

A decisão de Abel Ferreira de não poupar jogadores contra o Athletico-PR ganha contornos mais interessantes quando a provável escalação é colocada diante dos problemas específicos que o Palmeiras terá de resolver em Curitiba. O treinador não pretende escolher entre o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, mas a ausência de Gustavo Gómez, Giay e Vitor Roque obriga o Verdão a mexer em três posições importantes. O desafio está em descobrir se as alternativas disponíveis conseguem responder às exigências de um confronto que reúne o terceiro colocado do Brasileirão e um concorrente direto na briga pelo título.

O primeiro detalhe é a escolha de Bruno Fuchs para substituir Gómez. Isso porque o Verdão perde seu capitão e um defensor experiente justamente diante de um adversário que possui uma referência ofensiva particularmente perigosa. Viveros soma 21 gols em 28 partidas pelo Campeonato Brasileiro. É um número que ajuda a dimensionar o tamanho do problema. Sem Gómez, Abel terá de confiar em outra combinação de posicionamento, antecipação e proteção da área para conter um atacante que vem demonstrando capacidade de decidir.

A questão chama atenção porque o Athletico deve atuar com três zagueiros, estrutura que também aparece como uma possibilidade para o Palestra. Nesse desenho, os corredores podem assumir papel decisivo, tanto na progressão ofensiva quanto na recomposição. Khellven, provável substituto de Giay, precisará oferecer amplitude sem permitir que o adversário explore suas costas. Do outro lado, Piquerez terá de medir o momento de avançar, sobretudo se o Athletico conseguir acelerar as jogadas pelos lados. A ausência do argentino pede uma nova leitura dos encaixes defensivos.

Há um segundo problema, talvez ainda mais relevante para o funcionamento ofensivo: Vitor Roque segue em tratamento da entorse no tornozelo direito e deve desfalcar o time. A tendência é que Flaco López continue como referência central, com Jhon Arias e outras alternativas disputando espaço ao seu redor. A escolha reduz a possibilidade de utilizar a velocidade de Vitor Roque para atacar as costas da defesa e obriga Abel a encontrar outras maneiras de ameaçar o gol adversário.

Flaco tem duelo individual na Arena da Baixada

Flaco, aliás, terá um duelo simbólico pela frente. O argentino registra nove gols em 27 jogos no Brasileirão, enquanto Viveros apresenta 21 em 28 partidas. Os números não contam toda a história de dois jogadores com funções e contextos diferentes, mas evidenciam a disparidade de produção na competição. O Palmeiras precisa que seu centroavante transforme a presença na área em uma ameaça constante, especialmente se a equipe encontrar dificuldades para construir ataques longos. Sem Vitor Roque, a contribuição de Flaco para segurar a bola, disputar os cruzamentos e finalizar as jogadas ganha ainda mais peso.

É nesse ponto que Andreas Pereira merece atenção especial. Se Abel mantiver o meio-campo projetado nas últimas escalações, o camisa 8 terá responsabilidade na ligação entre a recuperação da posse e a chegada ao ataque. Contra uma equipe que pode povoar a última linha com cinco jogadores durante a fase defensiva, circular a bola sem acelerar a jogada tende a favorecer o sistema adversário. A SEP precisará encontrar passes que tirem os zagueiros de posição, acionar Arias entre as linhas e criar situações nas quais Flaco receba em condições de finalizar. A ausência de Vitor Roque torna essa conexão ainda mais importante, pois não basta chegar ao campo ofensivo; será necessário transformar a posse em ameaça real.

(Foto: Reprodução)

O problema é que o Verdão chega a Curitiba carregando uma sequência que contrasta com a vitória sobre o Fluminense no Maracanã. A equipe está há quatro partidas sem vencer como visitante no Campeonato Brasileiro: perdeu para o Fluminense por 3 a 2 e empatou com Mirassol, Botafogo e Grêmio. A última vitória fora de casa na competição foi o 4 a 0 sobre o Vitória, em 29 de julho. Embora continue com uma das melhores campanhas como visitante, o retrospecto recente indica que o desempenho na Libertadores ainda não se traduziu em uma resposta semelhante no torneio nacional.

Palmeiras de olho em retomada positiva como visitante

Contudo, a equipe comandada por Abel Ferreira também precisa recuperar uma capacidade de competir fora de casa que já foi uma de suas principais virtudes. Contra o Athletico, um empate prolongaria a sequência sem vitórias no Brasileirão; uma derrota poderia custar terreno na disputa pela liderança. O Flamengo, que tem um ponto de vantagem, visita o Bahia no domingo. O Palestra não controla o resultado do rival, mas pode evitar que a equipe dependa de tropeços alheios para continuar na briga pelo título.

A escolha de manter os principais jogadores disponíveis também precisa ser analisada sob essa perspectiva. O Alviverde não tem uma equipe reserva capaz de reproduzir automaticamente todas as relações táticas do time titular, e promover uma rotação extensa poderia comprometer o resultado justamente em uma rodada decisiva. Por outro lado, preservar a base da equipe não significa ignorar a condição física de quem atuou por mais de 45 minutos contra o Fluminense. Abel terá de avaliar quais titulares estão em condições de sustentar a intensidade exigida sem perder rendimento ao longo dos 90 minutos.

A resposta pode estar menos na quantidade de mudanças e mais no momento de realizá-las. Se o Verdaço conseguir controlar as transições e evitar que Viveros receba em condições favoráveis, terá condições de administrar o confronto sem transformar cada ataque do Athletico em uma situação de emergência. Se, por outro lado, a equipe sofrer para proteger a área e perder força para sair jogando, Abel precisará intervir antes que o desgaste comprometa o plano. As opções de Felipe Anderson, Mauricio e Sosa aparecem justamente como alternativas para alterar características da equipe durante a partida, sem que isso represente necessariamente abandonar a busca pelos três pontos.

A provável escalação e os desafios espalhados do elenco a Abel

A escalação provável, que conta com Carlos Miguel; Murilo, Bruno Fuchs e Barboza; Khellven, Marlon Freitas, Lucas Evangelista, Andreas Pereira (Felipe Anderson) e Piquerez; Arias (Mauricio) e Flaco López (Sosa), revela uma escolha coerente com a ambição do Palmeiras, mas também expõe riscos que não podem ser ignorados.

Bruno Fuchs terá de responder à ausência de Gómez diante de um dos atacantes mais produtivos do campeonato, Khellven precisará ocupar o espaço deixado por Giay sem fragilizar o corredor e Flaco terá de sustentar a referência ofensiva sem o parceiro de ataque lesionado. São problemas concretos que podem definir o resultado em Curitiba.

Abel não precisa escolher entre dois títulos antes de a bola rolar. Precisa mostrar que sua ‘equipa’ consegue disputar os dois sem confundir força máxima com repetição automática da escalação. O confronto com o Athletico é uma oportunidade de pressionar o Flamengo e, ao mesmo tempo, testar a capacidade do elenco de absorver ausências sem perder sua identidade competitiva. Se o Verdão vencer, demonstrará que pode ir além da preservação física e produzir respostas dentro de campo. Se tropeçar, a discussão sobre a administração do elenco ganhará outra dimensão.

FONTE: https://br.bolavip.com/palmeiras/analise-abel-muda-o-palmeiras-e-desfalques-obrigam-uma-reviravolta-tatica-contra-o-athletico-pr


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Top 5

top1
1. Cadeira Cativa

Zé Neto e Cristiano

top2
2. Imagina Eu

Eduardo Costa

top3
3. Me ama ou me larga

Simone Mendes

top4
4. P do pecado

Grupo Menos é Mais, Simone Mendes

top5
5. Opa cadê eu

Clayton e Romario

Anunciantes